Psicólogo Dr. João Vedor © 2020

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O Bailado Psíquico (Parte II)



As almas tocaram-se 

antes dos próprios dedos

se entrelaçarem.


Os ritmos saíam tortos

e os corpos nervosos

Tardavam para rimarem.


Porém, se a dança é prosa

ela também é poesia,

não termina no sentido libidinoso

como se perde no reino da fantasia.


Eles sabiam isso e ninguém os ensinara

Por isso pausaram por um momento.

Crivaram os olhos um no outro,

deixando a orquestra para o sentimento,

que inconscientemente até ali os guiara.


Essa força motriz já ninguém parava,

apesar de rodeados por escárnio.

Todo o mundo ria

Todo o mundo gozava...


Mas ninguém realmente reparava,

que naquele bailado desajeitado,

eles estavam verdadeiramente sintonizados.


Enquanto todo o mundo ouvia o mesmo,

eles oscilavam noutra frequência,

no meio daquele fidalgo sarau 

onde valia tudo, menos descurar a aparência.


Caluniados de loucos, insanos e ignóbeis,

mas unidos por aquele estranho som,

Eles bailaram até o corpo e a alma

harmonizarem também no mesmo tom.


Caricato é o que os loucos alcançam,

por não viverem na frequência

do consensus gentium.

Talvez o alcancem também,

por se perderem livremente

para lá do reino da consciência.



Continua...

Todos os direitos reservados João Diogo Vedor ©

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