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Desmascarando Bruce Wayne/Batman (Repost)




O seguinte Post apresenta uma reflexão e análise sobre a saga The Batman Begins que antecede o filme The Dark Knight e continuamente The Dark Knight Rises. O presente blogue pretende estruturar uma análise clínica da personalidade de Bruce Wayne (Batman). De modo a compreender da melhor forma possível esta dinâmica, foi realizada uma análise à personalidade do personagem com uma base teórica que pode corresponder às expectativas e associações de todo este mundo simbólico que ronda o anti-herói Batman.

O Batman sempre foi uma das personagens mais acarinhadas da chamada pop culture e desta forma reuniu desde cedo um certo interesse por alguns estudos, ou publicações não credenciadas sobre a personagem. Hoje o fenómeno ganha novos contornos com a importância dos anti-heróis na vida dos adolescentes e certos estudos começam a ser publicados de forma a perceber a importância e o contorno destas personalidades na atividade humana (e.g., Jonason, Schmitt, Webster & Norman Li, 2012). Esta figura renomeada da DC Comics, acaba por ser poderosa para a análise psicológica, pois o personagem envolve uma enorme simbologia em torno de si, que deve ser alvo de reflexão. Acima de tudo representa o anti-herói byroniano (e.g., Lord Byron) ou os heróis das trevas (Kruger, Fisher, & Jobling, 2003). É importante questionar se esse anti-heroísmo não deterá um lugar como arquétipo, ou pelo menos, um lugar na afeição das pessoas, pela projeção ou pela busca de empatia. Desta forma o presente Post pretende também abordar essas dimensões.


Sinopse e Análise da Saga


Em Batman Begins o acontecimento mais marcante é a morte dos pais de Bruce Wayne enquanto este ainda é uma criança no limiar da transição para a adolescência. O facto de ter presenciado a morte dos seus pais a partir de um assalto à mão armada e a frieza com que o assaltante lidou com os mesmos, perturbou a mente do rapaz durante muitos anos.

O facto de não ter outro suporte familiar e de já por si só ser um rapaz com grande estatuto económico e habituado à autonomia da sua educação transgeracional inglesa, só o afastou mais da sociedade permitindo um lugar premiado ao seu “centrismo” em pensamentos culpabilizantes. De forma a auxiliar esta faceta, cito Bruce Wayne da série Gotham, esta série apresenta Bruce Wayne nas suas características enquanto jovem adolescente. Durante grande parte da primeira temporada, a sua forma de estar era enferme, nutrida pela auto-crítica e culpa pela morte dos pais.


Segundo a comunidade científica, os pais orientadores, que adotam uma abordagem que alia o afeto e o controlo moderado, permitem a criança assumir a responsabilidade apropriada à sua idade (Carr, 2014). Apesar das relações entre Bruce e os seus pais, transmitidas em flashback na série e na saga, enquadrarem-se neste sistema positivo de dinâmica parental, o luto progenitorial pode ser uma fonte de depressão (Scabini & Cigoli, 2014). Associado a este fenómeno, as situações traumáticas de como ocorreu o homicídio dos país, podem associar marcadores somáticos negativos (Ver Damásio, 1994) e estes podem criar constelações de esquemas iniciais desadaptativos (EID), em tenra infância (Young,1999). Estes últimos são traduzidos em cognições negativas como pensamentos de culpabilização pelo ocorrido, rejeição de ajuda, de desconexão, entre outros. Eu menciono estes dois porque são os mais facilmente observáveis. Mais uma vez em Gotham, numa fase inicial Bruce desconecta-se do mundo social e rejeita a própria parentalidade transferida para Alfred (mordomo que funciona como peça vinculativa familiar desde sempre mas não biologicamente). Apesar de na tela estes acontecimentos passarem a enorme velocidade, as repercussões são sentidas em Bruce Wayne enquanto adulto como algumas mazelas que apesar de parecerem resolvidas por vezes voltam à superfície consciente como fortes cognições.





Refletindo este ponto anterior, no último filme onde a personagem Batman é protagonista (apresentado por Ben Affleck), quando o Batman está em luta aguerrida contra o super homem, esta atenua quando Bruce descobre que a mãe do Super-Homem se chama Martha (tal como a sua mãe biológica). Esta informação toma grande importância e de repente surge uma maior aproximação do cavaleiro das trevas para com aquele homem sabendo que a mãe deste se encontra em perigo. A biossemiótica postula que os símbolos são encriptados na nossa génese, mas não cedendo a uma teoria tão rebuscada, aquele marcador somático emocional (ver Damásio, 1994), foi ativado com uma força tremenda, capaz de bloquear a agressividade gerada até aquele momento (sabendo que esta é uma emoção primaria muito difícil de se lidar quando ativa pela amígdala – um dos centros emocionais prioritários no nosso cérebro). Ou seja, o ponto essencial desta reflexão é que como sabemos a personalidade é na sua epistemologia um processo que alia a genética do indivíduo, ao seu desenvolvimento existencial. Vários autores diferem nas suas teorias de que forma a personalidade é formada, se é mais nutrida pelas fontes biológicas como a transmissão genética e desenvolvimento hormonal, ou se é extrínseca, ou seja, através das relações ambientais, o sistema de pertença cultural, realçando o cariz do fenótipo. Atualmente existe um concordância na comunidade científica, que atribui 60% aos agentes extrínsecos do indivíduo e 40% para os seus elementos intrínsecos. Sendo que os primeiros englobam fatores como a sociedade, a educação, a relação parental entre outros e os segundos envolvem os agentes genéticos, biológicos como o desenvolvimento hormonal e entre outros (ver Damásio, 2010; Hansenne, 2003; Caballo 2006).


O primeiro filme tem ainda a vantagem de demonstrar a fase inicial em que Bruce Wayne começa a personificar o Batman. Isto tem a importância de compreendermos certas atitudes narcísicas misturadas com alguns traços psicopatas como a agressividade intensa. Muitas pessoas podem criticar utilizando o argumento que ao decidir prestar o serviço de vigilante essas medidas são naturais e até necessárias para a ação requerida. Isso é totalmente válido, mas como muitos autores defendem, a nossa conduta está estipulada pela nossa personalidade e para muitos a um grau inconsciente (Damásio, 1994). Desta forma, quem decide efetuar o trabalho de vigilante tem de ter um grau de autoconfiança e uma certa predisposição narcísica para dar-se ao luxo de achar que está acima do funcionamento geral da lei. Estes pontos serão mais pormenorizadamente trabalhados adiante.





Em The Dark Knight é possível mais do que tudo ver retratado o duelo entre o Homem que defende as normas e os valores justos, contra o seu antagonista nestes aspetos, mas que em muitos outros, revela-se seu análogo. O filme acaba por ser poderoso neste aspeto, pois invoco agora aqui a minha experiência pessoal (se possível), onde acredito que a competição revela muitas vezes os traços mais íntimos de uma pessoa. Imaginemos que trabalhamos numa equipa multifacetada e essas pessoas vão ficando mais genuínas nos momentos de maior tenção.

Existem várias questões que podem ser levantadas ao longo das sagas. O exemplo de uma pode apresentar-se na seguinte interrogativa:


* Será que o Homem que se disfarça para lutar, só o faz por questões de segurança e logística?


O que nos leva a percorrer um trilho? Um dos caminhos mais conhecidos do mundo é o de Cristo, que quando escolheu percorrer o deserto, sabia que sobrevivendo às situações mais adversas e perigosas poderia provar algo. Então o que leva uma pessoa a abandonar o conforto e a submeter-se ao risco? Onde é que o caminho inicia? Será que é a partir do momento em que vasculhamos os vários mapas e, segundo os nossos recursos escolhemos o nosso destino? Ou será que ele inicia-se antes? Será a escolha também é totalmente livre? Coloca-se em causa o subjetivismo nesta questão, ou seja, será que domino por completo o conteúdo mental e o que me torna pessoa? Nesta trama da natureza humana, o Batman dá voz a várias teorias que provocam a nossa reflexão sobre a construção da personalidade. Segundo Hansenne (2003) “personalidade tem origem em persona que significa máscara, a mesma que um ator utilizava na antiguidade para exprimir diferentes emoções e atitudes” (pag, 22). O que nos induz a pensar o porquê de Bruce Wayne escolher a sua persona em tons sombrios e até de a produzir nas linhas de um animal, que em infância tinha pavor (o morcego).





Quando analisamos um filme ao contrario da realidade em que muitas vezes somos presos a uma leitura estrita, devemos estender a nossa observação sobre todos os aspetos que possamos absorver. Porque a película representa uma arte, uma forma de expressão, onde o ator personifica-se em minutos limitados, porém existe todo um trabalho de realização e produção onde muitos significados simbólicos, presságios e dinâmicas podem ser compreendidas. Eu ao longo da análise não me restringi a uma escola psicológica até porque creio que a virtude está nos pontos de ligação que consigamos fazer e que no fim possa dar suporte a uma avaliação mais coesa.


Alguém que conseguiu aproximar-se foi Jacob Levy Moreno com o psicodrama, mas a exploração é muito centrada na atuação humana. Numa vertente psicodinâmica, quando olhamos para um desenho existem muitas caraterísticas do mesmo a considerar e se pensarmos no filme como um junção de milhares de desenhos, existe todo um mundo a considerar. No último filme da saga existem dois momentos em que a personalidade é abalada pela crise de identidade. Segundo Erikson durante os estados psicossociais que levam ao desenvolvimento da identidade existem dois estágios que apesar de seguirem um continuum, podem funcionar sobrepostamente como se vê no último filme da trilogia. Estes são a identidade versus confusão de papeis e a intimidade versus isolamento. O primeiro estágio referido aborda a fidelidade, ou seja se consigo ser fiel aos meus valores e à confusão, ou seja, não sei qual o meu papel nem quais são os meus valores. Numa fase em que toda a cidade de Gotham o critica até filosoficamente em torno dos valores e da forma como procede acima da lei entre outros, Batman começa a ficar confuso e desmoralizado, caindo mesmo no fundo de uma possível depressão. A parte do filme em que ele fica preso num buraco e luta para de lá sair, revela esse fosso interno que teve de travar para sobreviver. Enquanto Bruce Wayne trava também outro conflito no estágio de intimidade e isolamento, pois a vida como charmoso mulherengo, que acaba acordando ao lado de várias mulheres diferentes, revela a existente falta de intimidade, sendo que esta é bloqueada no processo de exclusividade, visto que o anti-herói não tem tempo para um pacto e muito menos quer envolver alguém nos seus perigos. Da primeira vez que o fez não correu muito bem com a sua amada Rachell.


Na derradeira luta do último filme da trilogia contra o maior bandido do mesmo (Bane) esta é recheada de dinâmicas psíquicas que foram projetadas no local onde ambos travam a luta. Ou seja, se considerarmos o edifício como a mente do próprio Batman, conseguimos interpretar cognições muito significativas revestidas pelo embate. Enquanto Batman tenta impedir Bane de atingir o seu objetivo, o último inicia a triunfar rebaixando o próprio ego de Batman no senso comum da palavra. Atingindo-o dizendo que ele é incapaz de o superar, o que por um lado ativa o traço obsessivo de Batman pela superação. O que primeiramente poderia funcionar como estimulante, em grande carga acaba por impedir que o fluxo de processos cognitivos se desenvolvam da melhor maneira e Bane leva a melhor. Sempre que Bane bate em Batman ele vai descendo os degraus ou até níveis no edifício, como quando alguém vive um conflito intrapsíquico e cada vez se afunda mais no mar da imensidão das suas emoções. Sendo cada vez mais difícil de se conseguir erguer e ter o tal auto-controlo e auto-disciplina que sempre fora apelativo na personagem. Claro que no final tudo acaba bem e todo este processo foi aqui abreviado, mas isto confere que toda a saga tem um cariz fortemente analítico e psicológico em torno da personalidade de Bruce Wayne.






A construção do fato de morcego


A forma como encaramos a vida tem base nos esquemas que vamos adquirindo ao longo do tempo (Young, 1999). Desta forma, nós projetamos e somos projetados por estes. No entanto existe um autor onde as suas teorias da personalidade parecem ser bastante pragmáticas no caso do Bruce Wayne e no próprio design do seu fato. Carl Gustav Jung considerava que o Homem era composto por diferentes personas, devendo aceitar as mesmas. Acreditando ainda que possuímos as duas vertentes de uma persona, devendo aprender a fazê-las comunicar (cit in Hansenne, 2003). Segundo Jung, na dinâmica da personalidade participam os arquétipos, que são imagens universais transmitidas ao longo da filogénese humana, ou pelo menos no seu know-how implícito comportamental (Peterson, 1999). Na perspetiva de Jung, um desses arquétipos é conhecido como sombra e representa a parte mais sombria da nossa existência. É a sombra que contém os desejos mais imorais e impróprios à sociedade, muitas vezes primitiva e por vezes algo semelhante ao id de Freud. Sendo Jung muito ligado ao simbolismo, o nome sombra denomina as trevas, ou seja a escuridão, tal como o Batman, tal como o cavaleiro das trevas, tal como o anti-herói que aspira a redenção, mas dominado pelos pecados da existência. A questão que se coloca é sempre, qual é a verdadeira identidade? O que conhecemos de Bruce Wayne como narcisístico, mulherengo, manipulador, ou será o Batman e o seu humor gélido, obstinado aos objetivos judiciais e a tensão à flor da pele? Ou será que o verdadeiro Self (ou seja o eu da personagem) se encontra na intersecção de ambos?


Desta forma, o que a avaliação permite é que alcancemos certas respostas que a análise observacional pode escapar por não intersetar com a análise em primeira pessoa, ou seja a subjetiva. Existem muitos mais fenómenos em torno do mundo Batman/Bruce Wayne que podem ser analisados, porém para não fugir ao objetivo e atitude parcimónia, que devem deter um Post, irei focar-me numa avaliação concreta deste famoso personagem.






Nosologia


Relativamente à nosologia é sempre difícil sermos exatos restringirmo-nos somente à observação dos filmes, daí que uma avaliação clínica seja fundamental também. Esta observação fica ainda mais limitada dependendo do filme que analisamos e do ator que dá corpo ao personagem. Porém algumas perturbações da personalidade podem estar melhores associadas a Bruce Wayne/Batman, não esquecendo que o próprio Bruce Wayne parece por vezes mascarar-se tanto de Batman como de Bruce Wayne. Os critérios de perturbação da personalidade geral segundo a American Psychiatric Associaion (2014) são:


1.Padrão duradouro de experiência interna e comportamento que se desvia marcadamente do esperado na cultura do indivíduo. Este padrão é manifestado em 2 (ou mais) das seguintes áreas:

​2.Cognição (isto é, formas de perceção e interpretação de si próprio, dos outros e dos acontecimentos).

​3. Afetividade (isto é, variedade, intensidade, labilidade e adequação da resposta emocional).

​4. Funcionamento interpessoal.

​5. Controlo dos Impulsos.

​6. O padrão duradouro é inflexível e global numa grande variedade de situações pessoais e sociais.

​7. O padrão duradouro origina mal-estar clinicamente significativo ou défice no funcionamento social, ocupacional ou noutras áreas importantes de funcionamento.

​8. O padrão é estável de longa duração e o seu início ocorreu o mais tardar na adolescência ou ni início da idade adulta.

​9. O padrão duradouro não é mais bem explicado como manifestação ou consequência de outra perturbação mental.

​10. O padrão duradouro não é devido aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por exemplo, drogas de abuso, medicamentos) ou outra condição médica ( por exemplo, traumatismo craniano).


Estes critérios da perturbação da personalidade geral podem ser verificados (não na totalidade), no comportamento observável do personagem. Acima de tudo sabemos o quão estas caraterísticas afetam o funcionamento geral do indivíduo ao nível social e do próprio trabalho, pois por várias vezes Bruce Wayne não consegue lidar com o seu trabalho, sendo central na sua vida o trabalho noturno como vigilante de Gotham. É na afetividade, no funcionamento interpessoal e o controlo de impulsos que reside o maior défice.

Não irei abordar os critérios de cada perturbação de personalidade de forma a validar ou não o diagnostico do personagem, até porque isso será trabalho a ser feito após a análise da nossa avaliação. Irei apenas, em jeito de prognostico abordar as perturbações que se revelam mais prováveis.


A perturbação paranóide da personalidade como revela essencialmente um padrão de desconfiança e suspeição, tal que as motivações alheias são interpretadas como malévolas. E esta é uma possibilidade, até porque o contexto doentio de Gotham ao qual Batman e Bruce Wayne é exposto, pode estimular esta possibilidade. Apesar de ele várias vezes revelar fé no seu povo como no segundo filme quando aborda o Joker dizendo que as pessoas da cidade não são como ele e por isso não iriam explodir os barcos.


A perturbação esquizoide da personalidade que assume um padrão de alheamento da vida social e restrição da expressividade emocional também é uma possibilidade, principalmente enquanto Batman, porque enquanto Bruce Wayne a manipulação que ele faz das pessoas chega a ser um pouco maquiavélica apesar de não querer o mal delas. Neste sentido e enquanto Bruce Wayne a perturbação esquizotípica da personalidade seria uma possibilidade intermitente. Já que existe um padrão de instabilidade no relacionamento próximo, distorções cognitivas ou percetivas e comportamento excêntrico.


A perturbação antissocial da personalidade não coloco sob grande questão, porque as ideias e valores judiciais podem entrar em paradoxo. Afinal o que entendemos por violação do direito dos outros? Podemos admitir que ele não tem o direito de subjugar os bandidos porque assim não lhe está atribuído por lei, apesar do povo atribuir essa possibilidade.

A perturbação boderline também pode ser possível devido a uma certa instabilidade e conflito daquilo que são ambas as personas ao nível dos relacionamentos interpessoais, autoimagem, afetos e impulsividade marcada.


A perturbação narcísica da personalidade, mesmo que inconsciente na sua maior parte é válida, porque apesar de até o mulherengo bilionário poder ser usado como uma máscara para poder proteger a outra máscara justiceira, várias vezes Bruce demonstra gozo nessas características, até porque não larga essa vida qua acaba por corrompe-lo.



A Sombria Tríade da Personalidade


A tríade sombria da personalidade é composta por traços narcísicos, psicopáticos e maquiavélicos (Jonason et al., 2012). Segundo estes autores, os indivíduos que incorporam estes traços são muito reproduzidos nas grandes telas como anti-heróis e incluem-se na lista de nomes tais como James Bond, Doctor House, Dexter entre outros, incluindo o nosso anti-herói. Os autores pegam na psicologia evolutiva e explicam que a tríade sombria traz vantagens e desvantagens ao seu utilizador, porém esta é muito acarinhada pela grande massa principalmente nos pequenos elementos visíveis de humanização destas personagens. Os autores admitem que esta tríade possa ter evoluído como forma adaptativa de alguns sujeitos individuais, que pretendem encontrar alguns benefícios como a reprodução sem criarem laços íntimos maiores. Existe também uma certa correlação entre o QI elevado e o poder de manipulação, quanto maior for, maior irá ser o poder de manipulação como é lógico, porém a inteligência emocional e empatia será menor. Os autores verificam que os indivíduos que tendem a ter esta tríade são os que levam uma estratégia rápida de vida, onde a reprodução é um dos principais objetivos. Admitem que os anti-heróis pela sua vida de risco são caracterizados por este tipo de estratégia, mas principalmente no Batman por ter testemunhado a morte dos pais e as interações agressivas com criminosos.

A seguinte teoria é meramente especulativa, porém parece suportar algumas possibilidades de diagnóstico da personalidade do personagem. É também interessante entender a dinâmica da personalidade sobre este ponto de vista meramente evolutivo.



Conclusão


Será importante mencionar que, tal como Jung dizia “não existe uma fórmula para a avaliação e atividade terapêutica das pessoas”. As possibilidades apresentavas anteriormente são meramente especulativas, mas assentes na história desenvolvimental, na anamnese disponível nas películas que recorri para analisar o personalidade desta figura da Pop-Culture.


O facto de tentar abordar o fenómeno que é a personalidade já por si é complexo. Quando associamos este fenómeno à mente de um binómio problemático que é a personagem Bruce Wayne/Batman, acaba por complicar um pouco a análise na extração do seu conteúdo. Uma base teórica mais direcionada numa única escola pode ser mais favorável nesta altura, porém o conceito de trabalho académico trata de conhecer a personalidade nos seus vários âmbitos. O trabalho em si tem limites de partida, pois o procedimento de elaboração do protocolo acaba por iniciar-se num processo de observação dos filmes.


O que pode ser vantajoso devido à complexidade do tema e simbologia embutida, pode também dissociar-nos daquilo que seria o caso clínico para com uma pessoa em vida real. Daí que para possibilitar um melhor estudo do fenómeno, possa ser necessário utilizar uma abordagem mais centrada numa escola particular e não tão holística ou, por outro lado, o trabalho poderá ser mais pormenorizado.


Creio contudo que um pedaço da máscara anímica do nosso personagem foi retirada, dando a conhecer e a compreender o seu mundo interior e, consequentemente, a sua forma de agir.




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Psicólogo Dr. João Vedor © 2020