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A moléstia da minha mocidade



Tinha 18 anos quando aquele diagnostico mudou para sempre a minha vida! Foi estranho, tudo estava estranho os sintomas eram estranhos. O coração começou a bater de uma forma descontrolada, desde aquele dia que não me deixou dormir descansada. Tinha entrado na primavera dos adultos, aquele momento que todos desejamos, mas ao mesmo tempo a criança frágil ainda morava em mim. Não sabia o que fazer, deveria pedir ajuda? Os sintomas não passavam e eu estava pior de dia para dia.

Decidi então a medo procurar uma justificação para aquilo que eu estava a sentir, comecei a ler sobre o assunto e qual é o meu espanto, segundo todas as informações poderia ser fatal. Não queria acreditar, eu era tão jovem ainda.


Troquei, troquei o livro, aquela informação só poderia estar errada, portanto procurei mais sobre o assunto, até escolhi a capa que dentro de toda aquela fatalidade tinha um aspeto mais otimista, mas mesmo assim o conteúdo continuava a ser o mesmo. Não... Estava mesmo acontecer e eu só pensava “ainda tenho tanto para viver, tanto para escrever, tanto para dizer, simplesmente tanto...” A minha vida não podia acabar ali!


PAIXÃO, foi o diagnostico para todos aqueles sintomas que me estavam a corroer! Aceitei, pois nem sempre tive muito cuidado com a alimentação. A cada parágrafo que lia tudo se fazia sentir em mim, o coração piorava de dia para dia. Restava-me esperar!


Foi isso que fiz, decidi esperar, devia ser passageiro, afinal sempre fui confiante.

Não passou, mas imaginem só que eu achava ter descoberto a cura, já que pouco tempo depois vi uma luz ao fundo do túnel. Curou... (E)le não se tinha formado em medicina, mas aos meus olhos era o melhor remédio, e a verdade é que o meu coração começou a melhorar porque aquelas doses de amor estavam a funcionar. Mal sabia eu que o pior estava por vir. O tratamento funcionou mas foi passageiro, na verdade não morri da doença mas quase morri da cura!


Pobre de mim, achei mesmo que estava livre daqueles malditos sintomas, a cura foi-se, mas eles não. Teimaram em ficar e eu aprendi a lidar com eles. Daquilo que continuei a ler sobre o assunto cheguei à conclusão que poderiam causar alguns danos colaterais, mas na verdade não matavam.


Respirei de alivio, mas por pouco tempo. Os sintomas alastraram-se e começaram a afetar outros órgãos vitais. Os pulmões! Milhares foram as vezes que fiquei sem ar. O estomago! Centenas de borboletas eu sentia, pensei o pior novamente, mas nada aconteceu.


Repentinamente, de novo outra cura. Juro, juro que acreditei que era ali que estava a minha salvação, mas na verdade quando estamos sedentos de luz qualquer foco nos parece o Sol. Não me fez mal, pois aquele diagnóstico não poderia piorar, mas também não me curou... Eu quis muito e verdadeiramente. Dei o corpo às balas! Queria ver-me livre de todas aqueles sintomas que me estavam a levar o sorriso, a fé, no fundo tudo aquilo de bom que havia em mim. Nasci rodeada de amor e acreditava que o amor vencia tudo, mas aquela maldita paixão fez-me ver que o amor só não chega.

Foi bom enquanto curou, mas não durou. Talvez só tenha tomado o genérico! Decidi deixar todas aquelas curas milagrosas que prometiam mundos, mas que na verdade não eram nem mais nem menos do que fundos!


Esperei, muitos e longos anos e tudo se refez. Certo dia alguém me disse que a melhor cura para este tipo de padecimento era o TEMPO! Nunca achei que fosse a melhor solução para mim, mas resolvi experimentar. Não tinha nada a perder, talvez (H)à terceira fosse de vez...

O TEMPO cura tudo! Dizem... Eu não nego. Foi a minha melhor terapia. Foram doses elevadas confesso, mas sobrevivi.

Durante a vida, tive algumas recaídas, voltei a sentir aqueles sintomas e talvez vá acontecer até ao final dos tempos. Assim espero. Porque hoje sei que a PAIXAO não mata.


Estou curada, o tempo cura tudo... Já não DÓI mas as vezes ainda REMÓI.



Texto por Ofélia


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Psicólogo Dr. João Vedor © 2020