Psicólogo Dr. João Vedor © 2020

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A História do Camponês Chinês




Era uma vez, um chinês que vivia numa pequena vila com o seu cabalo e o seu filho. Num determinado dia, o seu cavalo fugiu.

Nessa tarde, todos os seus vizinhos vieram a sua casa e disseram o seguinte:

- Isso é muito triste...


O camponês simplesmente respondeu...

- Talvez.


No dia seguinte o seu cavalo voltou para a quinta e trouxe mais sete cavalos selvagens com ele.

Desta vez os vizinhos reuniram-se todos em sua casa e disseram:

- Isso é maravilhoso na verdade, não é?


O camponês sorridente respondeu

- Talvez...





No dia seguinte o seu filho, sendo um jovem ambicioso e cheio de vida, tentou dominar um desses cavalos selvagens. Consegue cavalgar por pouco tempo um deles, contudo, acaba por cair, partindo assim a sua perna.


Então os vizinhos do camponês reuniram-se em torno da sua casa nessa tarde e disseram:

- Isso é muito mau, não é verdade?!


O camponês sereno respondeu

- Talvez...


No dia seguinte, os oficiais de recrutamento militar apareceram na vila e foram diretos à casa do camponês, à procura de sangue novo para o exercito. Verificando o filho naquele estado, com a perna partida, tiveram de o rejeitar.


Por sua vez, os vizinhos alegres com a notícia, voltaram-se a reunir na casa do camponês nessa mesma tarde e disseram:

- Vai dizer que isso não é maravilhoso? É, não é?


A esta questão o camponês respondeu de forma sensata:

-Talvez...


Allan Watts refere que

"Todo o processo da natureza, é um processo integrado de imensa complexidade. Portanto, é realmente difícil avaliar se o que acontece é bom ou é mau. Na verdade, nunca saberás quais serão as consequências do infortúnio, ou por outro lado, nunca saberás quais serão as consequências da boa sorte".

Isto não quer dizer que o homem está ilibado de qualquer responsabilidade sobre os seus actos, ou que se deva submeter à inércia da sua existência. As escolhas que os seres humanos fazem devem ser ativas e não simplesmente passivas, de forma a afirmar a sua autonomia. Tal como admite Viktor Frankl

“Um ser humano não é uma coisa entre outras; as coisas determinam-se umas às outras; mas o Homem é, em última instância, autodeterminado. Aquilo em que se transforma, dentro dos limites do legado biológico e do meio ambiente, resulta da sua própria ação”.

Devemos então entender que a inação, ou a impraticabilidade da autorreflexão atrofia o nosso processo de encontro. Outra sábia reflexão e, talvez mais profunda do que a de Frankl, será a de Carl Gustav Jung:


“Até se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir a sua vida e você irá chamá-lo de destino”.

Não importa se estamos comedidos de certa forma a um determinado caminho, mas a forma como ousamos utiliza-lo é da nossa inteira responsabilidade.


Então promova-se, aprofunde-se, reflita e reconstrua o puzzle da sua alma.


(Dedicado ao meu bom amigo João Vidal)



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